quinta-feira, 30 de abril de 2009

Culto ao corpo: a busca pelo corpo perfeito a qualquer preço

Introdução


A insatisfação dos jovens brasileiros com o próprio corpo e com a sua condição social é imensurável e demonstra ser um sentimento crescente. A busca por uma posição de destaque, de superioridade ou de onipotência é uma marca deste século, processo involutivo se contrastarmos com a inoperância e conformismo dos jovens frente aos problemas sociais da atualidade. Essa nova filosofia de vida, de insatisfação pessoal permanente, como se algo quase que inalcançável faltasse, priorizando-se o “eu”, é utilizada como mecanismo eficiente pela TV brasileira para venda de seus produtos, resultando na formação de uma nova juventude, onde a prioridade é a conquista da fama, do sucesso e dinheiro, consequentemente de uma suposta felicidade ditada pela TV.


O enfraquecimento da personalidade


Esse enfraquecimento da personalidade, de acordo com o fenômeno da “cópia”, onde ser famoso significa ser aceito pela mídia, custe o que custar, encontra-se presente no comportamento dos jovens brasileiros da atualidade, principalmente quando encaram isto como meio único de serem felizes e realizados. Tal forma de comportamento acaba “amputando” valores dos jovens que a sociedade espera que não pereçam frente a uma mídia manipuladora, principalmente quando são depositadas expectativas de mudança, que muitas vezes apenas podem ser concretizadas pelos jovens. Esta inoperência que tem se constatado, influencia negativamente todos os níveis da sociedade, por esta razão necessitamos do desenvolvimento de uma metodologia que objetive ensinar a criticar de forma objetiva o que se transmite pela televisão.


A contradição da saúde veiculada pela mídia e a venda de alimentos calóricos


O culto à magreza está diretamente associado à imagem de poder, beleza e mobilidade social, gerando um quadro contraditório, "esquizofrenizante", tendo em vista que, através da mídia escrita e televisiva, a indústria de alimentos vende gordura, com o apelo aos alimentos hipercalóricos, enquanto a sociedade cobra magreza.

O ideal de corpo perfeito preconizado pela nossa sociedade e veiculado pela mídia leva as mulheres, sobretudo na faixa adolescente, a uma insatisfação crônica com seus corpos, ora se odiando por alguns quilos a mais, ora adotando dietas altamente restritivas e exercícios físicos extenuantes como forma de compensar as calorias ingeridas a mais, na tentativa de corresponder ao modelo cultural vigente. Dessa forma, aumenta-se a pressão da equação: promessa de Felicidade e Beleza = Consumo

No tocante dessa problematização, acredita-se que o atual momento histórico fomenta no imaginário feminino a fantasia de que só basta querer para adquirir a imagem corporal idealizada. O avanço da tecnologia da beleza, através do apelo midiático-imagético, o qual modela subjetividades e impulsiona o lucrativo mercado da indústria da magreza, coopta o simbólico feminino em suas necessidades básicas, seduzindo-o para o alcance do corpo perfeito. Para tanto, publiciza, via fascinação, modelos de beleza que tendem a ocupar o limite extremo dessa busca obsessiva, desfigurando, assim, a tênue linha divisória entre o saudável cuidado com o corpo e o sutil movimento de instalação de doenças narcísicas.


As ilusões da busca do corpo perfeito


Existem idéias errôneas em busca do corpo ideal. As pessoas acreditam que o corpo é infinitamente maleável e que esse ideal estético pode ser atingido por qualquer indivíduo que siga as prescrições culturais de exercícios e dietas adequados. Outra crença é que a boa forma física depende apenas do esforço pessoal, não levando em consideração a particularidade do corpo de cada um e as limitações impostas pela biologia e genética, crença corroborada pela mídia e propagandas de produtos estéticos.

Além disso, a imagem do corpo ideal é acompanhada de conotações simbólicas de sucesso, autocontrole e autodisciplina. O fracasso em se atingir esse ideal de beleza passa a ser compreendido com falta de vontade, baixa auto-estima e personalidade fraca. Por outro lado, os que atingirem esse padrão de forma corporal alcançarão tudo o que buscam, desde sucesso na profissão, nos relacionamentos sociais e amorosos.

Enfatizando o crescente número de mulheres que manifestam sua inconformidade com o peso e a aparência física e que frequentemente recorrem a dietas, atualmente, são raras as pessoas que não tenham se submetido a algum tipo de dieta alimentar. Lamentavelmente, a maioria das pessoas com excesso de peso e com uma alimentação inadequada não atingiram esse peso almejado que pudessem mudar seu estilo de vida. E não é por falta de querer se submeter a um programa alimentar de baixo teor calórico ou por falta de dieta disponível. O problema, talvez, não esteja na dieta em si, mas numa estrutura ambiental que produz hábitos alimentares inadequados que, frequentemente, são incompatíveis com o que chamamos de qualidade de vida.

Para saber mais: http://www.jornaldedebates.ig.com.br/debate/qual-limite-na-busca-beleza/artigo/falacia-corpo-ideal

http://www.ufsm.br/direito/artigos/opiniao/influencia-midia.htm



Consequências da busca incessante pelo corpo perfeito


O consumismo, o hedonismo e o narcisismo - marcas legítimas da cultura moderna - movem bilhões de dólares e fazem do Brasil o campeão em cirurgias plásticas por motivos estéticos (Sociedade Brasileira, 1999) e o maior importador de femproporex, uma substância anorexígena (Centro Brasileiro, 1998).

Os efeitos nocivos do uso deliberado de anorexígenos, os quais fazem parte desta lógica lucrativista da cultura de "sensações". Prescritos pela classe médica através de fórmulas produzidas em farmácias de manipulação, ou através de produtos manufaturados pelas grandes indústrias farmacêuticas, destinam-se a pessoas que desenvolvem quadros de obesidade e/ou transtornos do comportamento alimentar, constituindo estes últimos uma realidade emergente e oculta, na Saúde Pública do Brasil.

Dados publicados apontam o aumento do número de adolescentes submetendo-se a operações plásticas por motivos estéticos; segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, os números dobraram de 1997 a 1998 (Sociedade Brasileira, 1999). Diante disso, indagamos: o amadurecimento e a emancipação feminina estão associados, concretamente, a um ganho efetivo em termos do controle que as mulheres exercem sobre seus corpos? Que fatores influenciam esta relação? Qual o papel da mídia nesse contexto?

Nesta busca das mulheres pela magreza, dois tipos de distúrbios alimentares têm entrado em cena nos nossos dias: a bulimia e a anorexia. Tais distúrbios passaram a ser mais conhecidos após terem afetado pessoas famosas ou que estavam em evidência na mídia. A princesa Lady Diana, a princesa Victória da Suécia, uma das participantes do Big Brother Brasil (Leika), a cantora do grupo americano “The Carperts” são alguns dos exemplos mais conhecidos.


Anorexia, bulimia e dietas rígidas


A anorexia seria um distúrbio de personalidade que se manifesta por extrema aversão ao alimento, que resulta em perda de peso que chega a ameaçar a vida e em geral ocorre nas mulheres jovens. É considerada uma enfermidade histérica, porém às vezes, se assemelha-se ou precede uma psicose. A mulher vitimada pela anorexia nervosa acaba obsessiva pela magreza extrema, deixa de comer e pode vir a falecer”, enquanto a bulimia leva a pessoa a ingerir em uma refeição enormes quantidades de alimentos para depois, sentindo-se culpada, vomitar ou fazer uso de laxantes, o que, além de desequilibrar o metabolismo, pode levar à morte por ruptura do estômago.

Também já foi ressaltado em matéria jornalística que as dietas rígidas, a partir de uma semana, podem causar danos cerebrais irreversíveis, afetando principalmente a memória e o raciocínio, já que comprometem de modo irreversível o córtex cerebral.

Outra reportagem salienta que os distúrbios alimentares vêm alcançando índices epidêmicos e são responsáveis pelo maior número de mortes entre todos os distúrbios psíquicos conhecidos. Em cada grupo de 10 pessoas doentes, uma se suicida ou morre em virtude de parada cardíaca e desnutrição. A maioria dos pacientes vitimados pela anorexia nervosa evita alimentar-se em público, além disto, contabiliza as calorias das refeições, faz exercícios compulsivamente e mantém o peso corporal bem baixo. O perigo está no fato da pessoa portadora de anorexia enxerga-se de forma distorcida, achando-se sempre gorda. As mulheres vitimadas pela anorexia nervosa são adolescentes, de classe social mais alta e apresentam características psicológicas como ansiedade, depressão, descontrole emocional e físico, intolerância à frustração, humor lábil e baixa auto-estima. Para ela as causas do distúrbio são múltiplas, incluindo fatores ambientais, genéticos e, sobretudo, comportamentais.

A pressão de uma sociedade cada vez mais competitiva, o estresse e experiências de vida traumáticas, associadas ao culto do corpo perfeito, têm levado muita gente, a maioria mulheres, a maltratar seu organismo, seja passando fome ou comendo em excesso.


Início do culto ao corpo


Nas décadas de 40 e 50, estrelas de Hollywood com Marylin Monroe eram mulheres de seios robustos e corpos curvilínios, valorizadas por seu sex appeal Em outras épocas, espartilhos eram bastante usados para reduzir a cintura e o abdômen das mulheres.

À medida que a mulher, a partir da década de 60, foi conquistando espaço no mercado de trabalho, legitimando a sua emancipação, tendo direito ao voto e ao uso da pílula anticoncepcional, estabeleceu-se um novo paradoxo: a mulher passou, então, a enclausurar-se no próprio corpo sob a égide do mito da beleza. De certa forma, aprendemos a ter uma visão distorcida da beleza, em virtude de a mulher ser maciçamente exposta aos padrões corporais atuais, incorporando essa imagem específica e aprendendo a gostar dela. Em outras palavras, estamos tão acostumados a ver como modelo mulheres extremamente magras que aprendemos ser esse o padrão de beleza.

O culto à magreza inicia-se já nos primórdios do século XX, embora se potencialize a partir da metade do mesmo e tenha seu auge a partir dos anos de 1980, momento em que o culto ao corpo e os modelos corporais a ele associados ganham maior visibilidade, inclusive, por infl uência direta da mídia.

A mulher magra foi mais do que uma moda, foi o desabrochar de uma mística da magreza, uma mitologia da linha, uma obsessão pelo emagrecimento, tudo isso temperado pelo uso de roupas fusiformes, fenômeno nascido na Europa e indissociável do ingresso feminino no mundo do exercício físico, seja sobre bicicletas, nas quadras de tênis, nas aulas de dança, e isto já nos anos de 1920. O corpo deveria ser esbelto, leve e delicado. Inicia-se a perseguição e desprestígio dos quilos a mais, ainda que discretos. Começa-se a fase, da cultura lipófoba, o horror a tudo que é mole, relaxado, gordo e sobre os obesos recairá uma suspeita e um estigma moral.

Atualmente, dietas e exercícios físicos parecem ser os meios mais adequados para se modificar o corpo, o que nos mostra a alta prevalência desses comportamentos. Nas ultimas décadas, ser fisicamente perfeito tem se convertido num dos objetivos principais das sociedades desenvolvidas. Um índice de massa corporal baixo é motivo de orgulho feminino, mas cada vez mais, os médicos associam a riscos à saúde como fertilidade reduzida, maior risco de osteoporose, desequilíbrios hormonais e baixa imunológica.

O aspecto físico parece ser o único sinônimo válido de êxito e felicidade, esquecendo, contudo, que um corpo magro trás não só beleza ao corpo, mas, inclusive, saúde e qualidade de vida. O impacto desse padrão de beleza no comportamento revela-se no desejo generalizado, especialmente entre as mulheres, por um corpo mais magro. A discrepância entre um corpo ideal e o real leva a um estado de constante insatisfação com o próprio corpo e as dietas para perder peso tornam-se freqüentes.

Para saber mais: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-52732003000100012&script=sci_arttext

http://www.jornaldedebates.ig.com.br/debate/qual-limite-na-busca-beleza/artigo/falacia-corpo-ideal

http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/842/84252107.pdf

http://www.efdeportes.com/efd9/anap.htm



Conclusão


Através deste trabalho, é possível perceber que a mídia influencia diretamente na busca por um corpo perfeito tanto por homens, como em mulheres e também em crianças e adolescentes, modificando os valores da sociedade. E dessa forma, enfraquecendo a personalidade das pessoas, incentivando o consumo exagerado de produtos de beleza, roupas da moda e até mesmo plásticas e cirurgias para atingirem esse corpo perfeito, não se preocupando com a saúde, buscando o seu objetivo a qualquer preço.

Tudo isso influencia negativamente todos os níveis da sociedade, por esta razão, necessitamos do desenvolvimento de uma metodologia que objetive ensinar a criticar de forma objetiva o que se transmite pela mídia. E de alguma maneira contribuir para desenvolver futuros cidadãos críticos, autônomos e conscientes de seus atos.

Corpo humano integrado

Cada um de nós vive, pensa, sonha dentro de um complexo e maravilhoso corpo humano. Muito do fascínio do corpo humano está na interação e integração de suas partes, pois são interdependentes para funcionar e sobreviver. Este corpo envolve uma série de sistemas integrados. Cada sistema desempenha um papel principal. Os sistemas são compostos de órgãos, que são formados por tecidos, que se compõem de células, que constroem o corpo humano. Elas são dinâmicas, crescem continuamente, se especializam, funcionam, se reabastecem aos bilhões a cada segundo, morrem e renascem.É preciso cuidar do corpo para manter-se saudável e evitar doenças. A educação é fundamental para a saúde e a prevenção de doenças. A dieta, por exemplo, pode ser demasiada e levar à obesidade ou , se não for equilibrada, levar à má nutrição, atingindo particularmente as crianças que ainda estão em desenvolvimento.Este blog vai tratar de algumas destas questões.

Para aprofundar-se no tema vale a pena consultar:

1- Google Acadêmico - "culto ao corpo" - Acessei o livro Culto ao corpo e sociedade:mídia,estilos de vida e cultura de consumo, de Ana Lúcia de Castro, em http://books.google.com, que possibilita a busca de livros e este é muito interessante para este tema;
2- Domínio Público - "saúde física e mental" - Encontrei uma dissertação de mestrado muito interessante com o tema "Adolescer saudável na ótica de adolescentes, de Adelita Campos Araújo, em www.dominiopublico.gov.br, que tem muitas teses e dissertações para acessarmos;
3- Scielo Brasil - Através do Google pesquisei corpo+Scielo Brasil e encontrei um artigo da Revista de Saúde Coletiva, que fala do corpo como fato social, da cultura carioca e da beleza, em http://scielo.br , que tem vários materiais científicos interessantes na área de saúde e outras.


A partir da dissertação de mestrado “Adolescer saudável na ótica de adolescentes”, de Adelita Campos Araújo ( 2008), temos questionamentos sobre as ações programáticas e dos profissionais de saúde e de educação voltadas para o adolescer saudável e a concepção dos próprios adolescentes acerca do que seja adolescer saudável. Como objetivo este estudo busca compreender a percepção de adolescentes acerca do processo de adolescer saudável; realiza um estudo qualitativo e exploratório; utilizando entrevistas semi-estruturadas com adolescentes; de ambos sexos; de uma escola pública da cidade de Pelotas-RS. A partir da análise temática dos dados; foram construídas três categorias: a) Modos de viver um adolescer saudável; em que é apontada a importância de uma alimentação e hidratação adequadas; de cuidados com a higiene e aparência pessoal; de dispor de condições apropriadas de moradia e saneamento básico; além de usufruir de um período de repouso; b) Relacionamentos e interações no adolescer saudável; em que; além do bom relacionamento com as/os outras/os; para um adolescer saudável; se sobressaíram alguns riscos sociais que fazem parte do viver da/o adolescente; como o uso de drogas; o consumo de álcool e fumo e a violência familiar; c) Da adolescência para o mundo adulto; em que a adolescência é reconhecida como um período que exige; também; maturidade; responsabilidade; autonomia; respeito aos limites; por parte das/os adolescentes; o que as/os torna mais valorizadas/os no seu meio de convívio. Atividades relacionadas ao lazer podem cooperar na socialização da/o adolescente; além de favorecer sua saúde física e mental. Dentre as dificuldades vividas pelas/os adolescentes; a separação dos pais foi caracterizada como um momento de sofrimento; solidão e mudanças no modo de ser. A concepção de adolescer saudável dá-se a partir da visão subjetiva de cada adolescente; para com o seu modo de viver diferentes situações. Evidencia-se um conceito ampliado de adolescer saudável; não apenas como a ausência de doenças; porém considerando fatores importantes como elementos físicos; sociais; culturais e econômicos.


Na Revista de Saúde Coletiva, vol.14, nº 2, Rio de Janeiro, Jul/Dez. 2004, em resenhas e críticas bibliográficas, Sonia Maria Giacomini em O corpo como cultura e a cultura do corpo: uma explosão de significados analisa o livro de GOLDENBERG, Mirian et al. (Org.). Nu & Vestido: dez antropólogos revelam a cultura do corpo carioca. Rio de Janeiro: Record, 2002. 411 p.
Esta coletânea de artigos mostra a natureza antropológica do corpo visto como inesgotável fonte de símbolos, que é simultaneamente um patrimônio — provavelmente o primeiro e mais imediatamente sensível de cada ser humano —, mas também fator de produção e expressão de sentido. Os contrastes e diferenciações, como o que opõe o nu e o vestido, não somente se atualizam nas representações do corpo, mas também incidem sobre ele, replicando formas de distinção e/ou oposição postuladas entre natureza e cultura.
Os diferentes artigos apresentam uma visão do corpo "como um fato social", isto é, como "uma construção cultural e não algo 'natural'" (p. 10). Apresentam também algumas peculiaridades. Uma delas diz respeito ao lugar específico que é conferido ao corpo na análise da cultura, que é tratado de diversas maneiras nos vários artigos.
Outra variação de enfoque pode ser constatada na atenção à caracterização do que seria uma "cultura carioca". O corpo carioca provoca uma variedade de significados, que revelam as especificidades da cultura da cidade.


No artigo de Ana Lúcia de Castro Imagens do corpo e cultura de consumo , a autora afirma que uma das modalidades de consumo que mais cresce atualmente está relacionada ao culto ao corpo. A indústria "Diet", a dos cosméticos e outros setores econômicos ligados ao tema da construção da aparência: moda, serviços de beleza, cirurgias plásticas e academias de ginástica são alguns exemplos.
A exposição do corpo e a preocupação com sua forma e apresentação intensificaram-se no século XX. O cinema, a televisão e a publicidade contribuíram para isso. A atual busca de cultuar e modelar o próprio corpo é caracterizada por diversas técnicas corporais legitimadas por nossa sociedade e está localizada dentro de um movimento social mais amplo, que vem se acentuando no contexto contemporâneo, no qual a técnica vem representando o principal artifício de controle da natureza e o consumo o espaço privilegiado de constituição de vínculos de identidade e de sociabilidade.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

http://www.youtube.com/watch?v=82qpNgrFoB4

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Contaminação alimentar

Contaminação alimentar Os índices de mortalidade por doenças relacionadas à água no mundo são alarmantes. A estimativa é que a cada oito segundos ocorra um óbito devido às doenças de veiculação hídricas como disenteria, febre tifóide e cólera. Cerca de 80% das enfermidades contraídas mundialmente tem como causa o consumo de água contaminada (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1994). A qualidade higiênico-sanitário é um dos aspectos mais importantes ao ser observado quanto à qualidade da água para consumo humano. De acordo com Salgado/2001, beber água é muito importante e mais importante ainda é controlar a qualidade da água consumida. O uso de águas poluídas na fabricação e no preparo de alimentos, como também na lavagem de vegetais, equipamentos e utensílios são perigosos. As infecções causadas pela água, como também por alimentos, aumentam em climas quentes devido ao rápido crescimento das bactérias e a necessidade de ingestão de grandes volumes de água (HOBBS & ROBERTS, 1998). A Organização Mundial da Saúde tem alertado para a necessidade de se coibir a contaminação de alimentos por agentes biológicos com potencial de causar danos à saúde. Há vários motivos que explicam a persistência ou até o aumento da contaminação dos alimentos. Os criadores usam antimicrobianos para auxiliar na engorda de aves e suínos, para consumo humano. Essa conduta, embora vantajosa do ponto de vista econômico, tem sido responsável pela emergência de cepas resistentes de bactérias patogênicas, como é o caso de Campylobacter jejuni e Salmonella typhimurium resistentes a quinolonasO consumo de ovos crus e carne bovina mal passada propicia a transmissão destas bactérias para o homem. Sabe-se que a exposição da Salmonella sp a ácidos graxos de cadeia curta, comumente utilizados como conservantes de alimentos, pode aumentar a virulência da bactéria, por torná-la mais resistente à acidez gástrica O leite de vaca merece especial atenção, pois é altamente perecível e largamente consumido pela população - sobretudo pelas crianças. Tem merecido atenção dos responsáveis pela fiscalização sanitária. As infecções podem resultar da ingestão do leite in natura contaminado por bactérias ou pode haver contaminação posterior: durante o transporte até as usinas de pasteurização, no entreposto após a pasteurização ou durante a manipulação pelo próprio consumidor. Os derivados do leite também podem sofrer contaminação durante seu processo de fabricação. Em primeiro lugar, muitas fazendas de gado leiteiro apresentam condições precárias de higiene, nem sempre fazem anti-sepsia adequada dos úberes das vacas antes da ordenha e ainda empregam a ordenha manual. Há falhas na refrigeração do leite nos caminhões a caminho das usinas e os processos de beneficiamento e armazenamento nas indústrias dão-se em locais cujos cuidados sanitários são insatisfatórios. Soma-se a isso a refrigeração deficiente dos produtos lácteos nos pontos do comércio varejista, pois sabe-se que alguns estabelecimentos desligam os congeladores e refrigeradores durante a noite para poupar energia, religando-os na manhã seguinte. Os queijos são os derivados mais suscetíveis à contaminação, dado o método de sua fabricação, com vários processos envolvidos: pasteurização do leite, coagulação, corte do coágulo, dessoragem, enformagem, salga, maturação (quando necessário) e embalagem. Nesse sentido, outro estudo, feito com 80 amostras de queijo "Minas frescal" vendido na cidade de Poços de Caldas, MG, mostrou que a metade apresentava contagens de S. aureus muito acima do limite máximo permitido pelo Ministério da Saúde. A contaminação foi maior nos queijos vendidos nas feiras livres, onde não havia refrigeração do produto. Nessas amostras, as concentrações de S. aureus estavam muito perto do inóculo necessário para provocar um surto de infecção alimentar estafilocócica. Toda a água em contato com os alimentos de origem animal - produtos de carne, leite, mel de abelha e outros, inclusive a usada para higienização de equipamentos nos abatedouros e indústrias, deve ter o mesmo padrão microbiológico e de potabilidade da água para consumo humano. As normas legais exigem que a água usada pelas indústrias não tenha mais de 500 microrganismos/ml, e nenhum coliforme fecal. Ressalta-se que muitas hortas brasileiras não só são irrigadas com água contaminada por pesticidas e matéria fecal, mas até adubadas com dejetos humanos. Por isso, o consumo de verduras cruas é um importante meio de transmissão de doenças infecciosas e parasitárias na população. As condições inadequadas de armazenamento de cereais não apenas favorecem a proliferação dos fungos, mas também dos ácaros e insetos, que podem deteriorar os produtos. A contaminação biológica de alimentos é um problema de saúde pública no Brasil, assim como afeta o mundo todo. As camadas menos favorecidas da população são as mais afetadas pela contaminação alimentar, pelos hábitos culturais da alimentação e necessidade de optar por produtos com menor preço, geralmente de pior qualidade e maior contaminação. http://pediatriasaopaulo.usp.br/upload/html/541/body/06.htm

As infecções intestinais estão controladas, até certo grau, nos países desenvolvidos. No século XIX, a grande reforma na saúde pública, introduziu suprimento de água potável e eliminação adequada dos detritos fez com que se diminui significativamente o caso de infecção intestinal. Porém, as infecções intestinais ainda se propagam nos países desenvolvidos através dos alimentos e dedos contaminados ao invés de água e moscas. Devemos tomar cuidado na manipulação dos alimentos. Para efeito de inspeção sanitária de alimentos, manipulador de alimentos é qualquer indivíduo que trabalha na produção, preparação, processamento, embalagem, armazenamento, transporte, distribuição e venda de alimentos (HAZELWOOD & Mc LEAN, 1994). Os indivíduos que colhem, abatem, armazenam, transportam, processam ou preparam os alimentos muitas das vezes são responsáveis pela contaminação microbiológica destes mesmos alimentos. Manipuladores de alimentos que estejam infectados ou colonizados por patógenos podem contaminar víveres tocando-os. Qualquer manipulador de alimentos pode transferir patógenos dos alimentos crus para víveres que posteriormente não serão aquecidos para garantir a segurança (ICMSF, 1997). A ingestão de patógenos pode causar muitas infecções diferentes que tanto podem ficar confinadas ao trato gastrotintestinal como podem se disseminar para outros órgãos. As infecções do trato gastrointestinal variam de efeitos desde uma crise branda, autolimitada, até uma diarréia grave, algumas vezes fatal, podendo haver vomito, febre e mal estar associados (MIMS, 1999).
As doenças veiculadas por alimentos representam um importante problema de saúde pública, pois estima-se que milhões de pessoas de todo o mundo estejam acometidas por doenças transmitidas por alimentos. A falta de controle higiênico de alimentos vendidos por manipuladores de alimentos constitui um importante obstáculo para implementar medidas de controle contra as parasitoses intestinais. No Brasil, apesar da relevância e da atualidade do problema, são poucos os trabalhos avaliando a ocorrência de enteroparasitoses em manipuladores de alimentos.A maioria das doenças transmitidas por alimentos está ligada às condições da matéria prima, aos maus hábitos dos manipuladores, à higienização e ao controle ambiental. Este trabalho considerou a importância dos manipuladores de alimentos como potenciais transmissores de enteroparasitoses e a possibilidade de interromper este elo na cadeia de transmissão. O hábito de ingerir maiores quantidades de frutas e verduras elevou o parasitismo, o que demonstrou a baixa qualidade higiênico-sanitária durante o preparo para o consumo desses alimentos nas populações estudadas. Estudos realizados no Brasil confirmaram a possibilidade de contaminação alimentar por helmintos e protozoários, devido à ingestão de hortaliças consumidas cruas, provenientes de áreas cultivadas e contaminadas por dejetos fecais. Assim, é importante que haja orientação aos manipuladores de alimentos, no que diz respeito à importância da correta higienização dos alimentos, de forma a minimizar a transmissão de doenças de origem bacteriana e parasitária. Os manipuladores de alimentos desempenham um importante papel na transmissão de doenças veiculadas por alimentos. http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S0102-311X2005000200033&script=sci_arttext&tlng=

Efeitos da degradação de recursos hídricos sobre a saúde humana Estima-se que 80% de todas as moléstias e mais de um terço dos óbitos dos países em desenvolvimento sejam causados pelo consumo de água contaminada, e, em média, até um décimo do tempo produtivo de cada pessoa se perde devido a doenças relacionadas à água. Os esgotos e excrementos humanos são causas importantes dessa deterioração da qualidade da água em países em desenvolvimento. Tais efluentes contêm misturas tóxicas, como pesticidas, metais pesados, produtos industriais e uma variedade de outras substâncias. Quando impropriamente manuseados e depositados, os despejos industriais atingem a saúde humana e a ambiental. Exposição humana (ocupacional ou não ocupacional) a despejos industriais tem conduzido a efeitos na saúde que compreendem desde dores de cabeça, náuseas, irritações na pele e pulmões, a sérias reduções das funções neurológicas e hepáticas. Evidências dos efeitos genotóxicos à saúde, como câncer, defeitos congênitos e anomalias reprodutivas, também têm sido mencionadas. Aumento de incidência de carcinomas gastrointestinais, de bexiga, anomalias reprodutivas e malformações congênitas tem sido encontrado em populações que vivem próximas a perigosos depósitos de despejo. http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/biologia/0004.html


Palavra-chave: obesidade
Disponível em: http://www.afh.bio.br/digest/digest4.asp

OBESIDADE

A obesidade é o maior problema de saúde da atualidade e atinge indivíduos de todas as classes sociais, tem etiologia hereditária e constitui um estado de má nutrição em decorrência de um distúrbio no balanceamento dos nutrientes, induzindo entre outros fatores pelo excesso alimentar. O peso excessivo causa problemas psicológicos, frustrações, infelicidade, além de uma gama enorme de doenças lesivas. O aumento da obesidade tem relação com: o sedentarismo, a disponibilidade atual de alimentos, erros alimentares e pelo próprio ritmo desenfreado da vida atual.

A obesidade relaciona-se com dois fatores preponderantes: a genética e a nutrição irregular. A genética evidencia que existe uma tendência familiar muito forte para a obesidade, pois filhos de pais obesos tem 80 a 90% de probabilidade de serem obesos.

A nutrição tem importância no aspecto de que uma criança superalimentada será provavelmente um adulto obeso. O excesso de alimentação nos primeiros anos de vida, aumenta o número de células adiposas, um processo irreversível, que é a causa principal de obesidade para toda a vida. Hoje, consumimos quase 20% a mais de gorduras saturadas e açúcares industrializados. Para emagrecer, deve-se pensar sempre, em primeiro lugar, no compromisso de querer assumir o desafio, pois manter-se magro, após o sucesso, será mais fácil.

Por que estamos tão gordos

Num tempo em que as formas esguias e os músculos esculpidos constituem um avassalador padrão de beleza, o excesso de peso e a obesidade transformaram-se na grande epidemia do planeta. Nos Estados Unidos, nada menos de 97 milhões de pessoas (35% da população) estão acima do peso normal. E, destas, 39 milhões (14% da população) pertencem à categoria dos obesos. O problema de forma alguma se restringe aos países ricos.

Com todas as suas carências, o Brasil vai pelo mesmo caminho: 40% da população (mais de 65 milhões de pessoas) está com excesso de peso e 10% dos adultos (cerca de 10 milhões) são obesos. A tendência é mais acentuada entre as mulheres (12% a 13%) do que entre os homens (7% a 8%). E, por incrível que pareça, cresce mais rapidamente nos segmentos de menor poder econômico.

O inimigo, desta vez, consiste num modelo de comportamento que pode ser resumido em três palavras: sedentarismo, comilança e stress. Estamos vivendo a era da globalização de um modo de vida baseado na inatividade corporal frente às telas da TV e do computador, no consumo de alimentos industrializados, cada vez mais gordurosos e açucarados, e num altíssimo grau de tensão psicológica.

A "mcdonaldização"

Em ritmo acelerado e escala planetária, as culinárias tradicionais vão sendo atropeladas pelo fast-food. E bilhões de seres humanos estão migrando dos carboidratos para as gorduras.

As conseqüências dessa alimentação engordurada podem não ser inocentes. Artérias entupidas e diabetes são apenas algumas das possíveis conseqüências do excesso de peso. Mas, independentemente das conseqüências, existe hoje uma unanimidade entre os médicos para se considerar a própria obesidade como uma doença. E o que é pior: uma doença crônica e incurável. Como a gordura precisa ser estocada no organismo, todo obeso tem um aumento do número de células adiposas (obesidade hiperplástica) ou um aumento do peso das células adiposas (obesidade hipertrófica) ou uma combinação das duas coisas.

Esse é um dos fatores que faz com que, uma vez adquirida, a obesidade se torne crônica. O indivíduo pode até emagrecer, mas vai ter que se cuidar pelo resto da vida para não engordar de novo. É por isso também que, a longo prazo, os regimes restritivos não resolvem. Com eles, a pessoa emagrece rapidamente. Mas não consegue suportar, por muito tempo, as restrições impostas pelo regime. E volta a engordar. É o chamado "efeito sanfona", o massacrante vai-e-vem do ponteiro da balança.

O primeiro passo: levantar da poltrona e mexer o corpo

O sedentarismo é a causa mais importante do excesso de peso e da obesidade. Por esse simples motivo, a atividade física tem que ser o primeiro item de qualquer programa realista de tratamento da doença. A pessoa sedentária deve começar reeducando-se em suas atividades cotidianas. Se ela mora em apartamento, por exemplo, pode utilizar as escadas, em vez do elevador. Mesmo isso, porém, deve ser feito gradativamente. A pessoa que mora no sétimo andar pode subir apenas um lance de escada no primeiro dia e o restante de elevador. E ir aumentando o esforço, dia após dia, até conseguir galgar todos os andares.

A partir daí, abre-se espaço para uma atividade física sistemática. Mas é preciso que seja uma atividade aeróbica (caminhada, esteira, corrida, bicicleta, hidroginástica, natação, remo, dança, ginástica aeróbica de baixo impacto etc.), com elevação da freqüência cardíaca a até 75% de sua capacidade máxima.

Nessas condições, a primeira coisa que o organismo faz é lançar mão da glicose, armazenada nos músculos sob a forma de glicogênio. Depois de aproximadamente 30 minutos, quando o glicogênio se esgota, o organismo começa a queimar gordura como fonte de energia.

As dietas restritivas devem ser evitadas. Até porque, exatamente pelo fato de serem desbalanceadas, o organismo se defende espontaneamente delas, fazendo com que, após um período de restrição, a pessoa coma muito mais. O que o indivíduo precisa, isto sim, é buscar uma mudança no estilo de vida, pois os fatores comportamentais desempenham, de longe, o papel mais importante no emagrecimento.

Segure a compulsão

  • Faça um diário alimentar e anote tudo o que você come.
  • Obedeça rigorosamente ao horário das refeições, comendo com intervalos de 4 a 5 horas.
  • Jamais pule refeições.
  • Quando, fora dos horários, surgir a vontade de comer, busque uma alternativa (caminhada, exercícios físicos etc.) que reduza a ansiedade.
  • Antes de cada refeição, planeje o que você vai comer e prepare cuidadosamente a mesa e o prato.
  • Preste a máxima atenção ao ato de comer. Não coma enquanto lê ou assiste televisão.
  • Mastigue bem e descanse o garfo entre cada bocada. Isso ajuda a controlar a ansiedade. Mas é eficiente também porque existem dois mecanismos que promovem a saciedade. Um, de natureza mecânica, atua rapidamente, com o preenchimento do estômago. O outro, mais lento, depende da troca de neurotransmissores no cérebro. Comendo devagar, a pessoa dá tempo para que esse segundo mecanismo funcione.
  • Jamais faça compras em supermercados de estômago vazio, para não encher o carrinho com guloseimas.
  • Não estoque comidas tentadoras (doces, sorvetes, salgadinhos) em casa. Tenha sempre à mão opções saudáveis.
  • Não vá a festas de estômago vazio. Se, chegando lá, você não resistir à tentação de comer alguma coisa, escolha aquilo de que mais gosta e dispense o resto.
Disponível em: http://www.afh.bio.br/digest/digest4.asp